Pálido crepúsculo

Não sei se por gostar muito de praia, de sol e, até no frio, curtir as cores do inverno, das roupas, os tons de cinza-amarelado de alguns dias, que tenho um tremendo pé atrás com a palidez.

Não falo da cor branca de peles. Não é meu caso, que sou moreno, mas é o do meu filho, branquelo que só ele. E lindo. Isso não é palidez. E tem sua beleza, seu brilho, seu glamour.

Falo daquela condição sem vida, que lhe falta sangue. A falta de blood nas veias é pior que o excesso. É sinônimo de lentidão não-criativa, de ausência de desejo, de imobilidade.

Entro no assunto por uma moda, derivada do sucesso da série Crepúsculo, que valoriza a “pele pálida” (clique aqui e confira) como sinônimo de beleza. Lamentável.

Assisto à série nas telonas, porque tive que levar meu filho ao cinema. Leio os livros, porque compro para o Bruno e, caiu na rede, é peixe. Leio tudo que cruza meu caminho (literatura bem limitada a praticada por Stephenie Meyer, diga-se de passagem).

Sinceramente: as menininhas não se derretem por Robert Pattinson pela sua palidez. Se ele não fosse “inatingível” (aquele desejo de ter algo que não se pode), se não fosse incrivelmente forte na sua condição de vampiro (mulheres, principalmente meninas, ainda preferem se sentir subjugadas), ele não faria o sucesso que faz.

Digo isso com certeza: já que os gritinhos e suspiros mais intensos no cinema são para o lobo de abdômen definido, Jacob.

Então, quando leio que apenas 1% das britânicas preferem a pele bronzeada e a palidez passa a ser propagada como moda para o resto do mundo, me preocupo.

Lembro daqueles papais noeis vestidos e encasacados no verão brasileiro. Importa-se uma cultura, consome-se qualquer coisa, sem se questionar.

A Inglaterra é fria e sem luz boa parte do ano. Lá as pessoas são brancas e tem propensão à palidez. Alguns só a perdem motivados por doses homéricas de cerveja.

Claro que cultuar gente bronzeada seria insano na Inglaterra, simplesmente o desejo de consumo não estaria à disposição.

Agora engolir esta moda aqui nos trópicos é subserviência. Misturada com burrice.

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